Vibe coding para clonar só a funcionalidade viral de um app
Martin abriu 2 páginas de loja lado a lado e perguntou qual função daquele app cheio de recursos chama mais atenção. O recorte de 1 função só, e o passo que quase ninguém dá depois dele.
Uma pergunta corta o escopo de um app cheio de funções antes de você escrever a primeira linha: qual daquelas funções chama mais atenção sozinha. Martin estava com 2 páginas de loja abertas lado a lado, comparando um app completo de controle de tempo de tela, com sessões de foco e bloqueio de aplicativos, e um app de alarme que só desliga depois de uma tarefa física. Olhando para o maior, ele fez a pergunta em voz alta:
Qual que é a função desse aplicativo que é mais interessante ou chama mais atenção?
A resposta dele vale para aquele mercado; a pergunta funciona em qualquer ficha de loja que você abrir. Ela troca "eu conseguiria construir esse app?" por "qual pedaço desse app carrega a atenção sozinho?", e as 2 perguntas levam a produtos de tamanhos bem diferentes.
Ele mede o app grande antes de recortar
Antes de cortar qualquer coisa, Martin leu a ficha do produto maior e foi somando o custo do que via:
Ele tem várias coisas aqui, né? Sessões de foco, ele meio que tranca alguns aplicativos. Então isso aqui é um nível de dificuldade para fazer.
Sessão de foco e bloqueio de aplicativo se sustentam uma na outra dentro daquele produto. Quem decide copiar o conjunto assume entregar tudo antes de a primeira pessoa abrir o app, porque uma versão incompleta de um app conhecido é comparada com o original já na primeira tela.
A leitura da lista serviu para outra coisa. Ela mostrou que aquele produto tem muitas partes e que nem todas puxam a atenção com a mesma força.
A pergunta que o vibe coding faz antes da primeira tela
Ele mesmo respondeu, apontando na tela:
essa parte aqui, ó, de ter que fazer as flexões é meio que viral. Então, por que não fazer só isso?
O recorte é esse. Uma função que as pessoas comentam, tirada de dentro de um app cheio de funções e tratada como produto inteiro. Na outra aba estava um produto que funciona exatamente assim: o alarme toca e só desliga depois que você cumpre uma tarefa física, com a câmera do celular conferindo.
O escopo muda de tamanho junto com a pergunta. A lista do app grande vira semanas de sessão de foco, bloqueio e o resto antes de existir tela para mostrar a alguém. A função única cabe numa frase que você descreve inteira para o assistente de código e ainda consegue conferir no fim do dia.
Recortar 1 função e depois aprofundar aquela função
Cortar a função é metade do movimento. Martin reparou que o produto menor não ficou só naquela tarefa:
E daí ele adicionou outras coisas, né?
Em vez de uma missão só, a lista tem alternativas, como resolver um problema matemático ou fazer a cama. A mecânica em volta é o que transforma a função em produto: você escolhe a missão na noite anterior, o alarme toca no dia seguinte, e ele não desliga até você cumprir a tarefa, com a câmera validando.
A função escolhida entrou como acordar fazendo flexão e saiu com um catálogo de missões e um alarme que não aceita ser desligado antes da hora. Uma cópia empobrecida do app grande teria várias funções pela metade e nenhuma que alguém tenha vontade de contar para um amigo.
A pergunta que não responde
"Chama mais atenção" é julgamento seu sobre o que prende os outros. Você olha a ficha, decide qual das funções é a viral e constrói em cima dessa aposta, e ela continua sendo aposta até alguém baixar e usar. A função que rende comentário na loja pode ser a mesma que a pessoa desinstala semanas depois. O vibe coding encurta o caminho entre esse palpite e a primeira pessoa usando, e não melhora o palpite em nada. Vale ver como isso terminou em vibe coding para so enviar whatsapp depois que voce aprova. O mesmo problema apareceu em habit tracker. Foi o mesmo caminho de vibe coding para travar o agente em so leitura.
As 2 fichas de loja também não contam a história de nenhum dos produtos. Ele mesmo notou o buraco na hora:
Eu queria saber qual que chegou antes, tá?
Data de lançamento não aparece na ficha, e a ordem entre os 2 ele não tinha. A comparação entrega outra coisa: com 2 tamanhos de produto na tela ao mesmo tempo, fica visível que uma lista de funções não é indivisível, e a pergunta sobre qual delas carrega a atenção passa a ser possível de fazer. Números que vêm do assistente, números que aparecem na ficha, dados que chegam da pesquisa — tudo merece o mesmo teste: de onde saiu? Vale ver como isso aparece também em alucinação de número no vibe coding. O mesmo problema apareceu em ideias para app. Vale ver como isso terminou em exemplos de tom de voz. O mesmo problema apareceu em vibe coding para decidir o app em uma semana.
Como fazer esse recorte na sua próxima sessão de vibe coding
Abra a ficha do app grande que você estava com vontade de clonar e escreva a lista de funções que ele anuncia. Depois marque 1 delas, a que você contaria para um amigo numa frase. As outras ficam fora do escopo, nem numa versão simplificada elas entram. Vale ver como isso aparece também em vibe coding para não ficar preso na pesquisa.
Com essa função na mão, faça a segunda pergunta, a que o Martin fez sem chamar de pergunta: o que dá para acrescentar em cima dela? Outros jeitos de cumprir a mesma regra, e alguma validação que impeça o usuário de burlar o combinado. Esse trabalho é o que separa o recorte da cópia, e é ele que o vibe coding torna barato de testar, porque você mexe na regra e roda de novo no mesmo dia.
Na live, as 2 fichas aparecem lado a lado no momento em que ele faz a pergunta, com o "por que não fazer só isso?" saindo logo em seguida.