VIBE IN PUBLIC_

Prospecção ativa: como um vibe coder trocou tráfego pago por 225 disparos

225 disparos, 2 contratos e R$ 8.328 de ARR em fase beta, sem tráfego pago. O funil de prospecção ativa que Jhonatan montou sozinho, e o que ele não prova.

Jhonatan mostrou o funil de vendas dele inteiro numa tela só: disparou para 225 pessoas, 50% responderam, ele fez algo em torno de 10 reuniões e assinou 2 contratos, que somam R$ 8.328 de ARR. Em fase beta, sem um real de tráfego pago. O produto vendido é um SaaS dele para igrejas, e o canal foi prospecção ativa.

225 contatos é um volume que cabe na agenda de uma pessoa só, e é isso que sustenta o resto: dá para saber quem respondeu, quem entrou em reunião e quem sumiu. A parte que exige decisão antes de ligar qualquer automação é a origem desses contatos.

A taxa alta vem do tamanho pequeno da lista

A versão mais limpa que ele deu do funil foi essa:

"Apenas na fase beta eu fiz um disparo de 225 disparos. 50% me responderam, 50% eu fiz algo em torno de 10 reuniões e tals. E já fiz aí 8328 de ARR."

E o fechamento, com o valor de custo cortado porque a live deu números conflitantes para ele:

"disparei para 225 pessoas [...] e fechei aí dois contratos que no caso me rendem aqui 8.328 de ARR"

Uma taxa de resposta de 50% em cima de 225 mensagens é o que faz o resultado parecer grande. Taxa alta em amostra pequena costuma dizer que a lista foi bem escolhida, e essa foi montada dentro do nicho que ele já conhece. A live não diz de qual das origens saíram esses 225 contatos, e o tamanho final é o que importa aqui: a lista parou num ponto em que ainda cabia no olho de uma pessoa.

O nicho ele nomeou sem cerimônia:

"eu fiz a prospecção de igrejas, velho. Tá vendo aqui, ó? Igrejas evangélicas."

E o contexto que ele repete toda vez que mostra o número:

"Isso é fase beta, sem nenhum tráfego, etc."

O automático vai até a resposta, e para ali

A mensagem sai automatizada e o áudio já está gravado antes do primeiro disparo. A pessoa responde, e o fluxo entrega o áudio que ele gravou uma vez:

"Ele entra no meu fluxo, ele vai responder: "Passe, tudo bem". E aí ele manda um áudio pra pessoa aqui, ó. Aí é o áudio que eu já gravei."

Daí em diante, o fluxo empurra a conversa até um ponto de parada, e o ponto de parada é ele:

"Se ele responder, ele entra em cada um numa parte do fluxo até cair para mim aqui na onde eu preciso ver e acompanhar. Ou seja, eu eu entro na intervenção muito pouco, muito pouco."

A regra que sai disso serve para qualquer canal: automatize até a resposta, entre na mão a partir dali. Quem tenta automatizar o passo seguinte, a negociação, economiza tempo exatamente onde a conversa começa a valer dinheiro. O áudio cobre a apresentação, sempre do mesmo jeito e na voz dele, e o fluxo para de decidir quando a conversa vira negócio.

De onde vem o contato decide o que é isso

O resultado é real, e a origem da lista é o que decide se aquilo foi prospecção ou incômodo distribuído em escala. Este site já publicou, com o mesmo builder e a mesma plataforma, um post que trata dessa fronteira: contato tirado de grupo ou de perfil não é lead qualificado, e o modelo troca custo de mídia por custo de permissão. Lá também está registrado que existem limites de lei para tratar telefone de pessoa identificada e limites nos termos de uso da plataforma de mensagem para coleta automatizada e disparo em massa não solicitado. Isso aparece também em multi tenancy. Foi o mesmo caminho de high ticket o que é.

Não trate este post como receita de "faça você também". O que ele registra é um resultado obtido num desenho específico, com um nicho que o builder já conhecia. Quem for atrás dos 50% sem decidir antes de onde o telefone pode vir descobre o limite pelo lado do bloqueio, da denúncia e da conversa que começa com a pessoa perguntando quem te deu o número dela.

O que o vibe coding torna possível aqui

Jhonatan está construindo a própria plataforma de prospecção enquanto a usa para vender outro produto dele. É isso que o vibe coding viabiliza para quem não tem caixa: a ferramenta de aquisição vira uma peça de software que você mesmo escreve e ajusta na semana em que o funil não converteu. O mesmo problema apareceu em licitações abertas.

O mesmo fato explica por que o número ainda não serve de prova para ninguém. Uma plataforma em construção, usada pelo próprio autor, num nicho onde ele já circula, produz um resultado que diz mais sobre ele do que sobre o método. O canal de seguidores do Instagram, que ele diz que vai lançar em breve, é o que vem depois, não o que já roda.

Minha leitura, com 3 ressalvas ao número

Daqui em diante é análise minha, não é o que ele falou na live.

2 contratos é base pequena demais para virar taxa de conversão. Com uma base desse tamanho, um fechamento a mais ou a menos muda qualquer percentual que você calcule, e R$ 8.328 de ARR em fase beta é a projeção anual de contratos recém-assinados, não dinheiro que entrou durante 12 meses.

O nicho também não é neutro. Ele vende para igrejas, tem produto no meio e presença no meio. Uma lista fria do mesmo tamanho, num nicho onde ninguém te conhece, não devolve metade das mensagens respondidas.

E taxa de resposta não mede aceitação. Quem responde para reclamar, para pedir para sair da lista ou para perguntar de onde você tirou o telefone dele está contado dentro dos 50%. O funil publica a metade boa dessa conta, e é na metade que some que aparece o custo de permissão.

O que replicar amanhã

O que se replica daqui é o desenho. Comece com uma amostra pequena e uma única origem de contato, porque 2 origens misturadas tornam impossível saber qual funcionou. Meça resposta e reunião marcada, não quantidade de disparo, que é a métrica que engorda sem significar nada. Automatize até a primeira resposta e apareça em pessoa a partir dali. E resolva de onde o contato pode vir antes de ligar a automação, porque essa é a única parte que não dá para consertar depois.

Vale assistir à live para ver a tela do fluxo enquanto ele explica o handoff.