Onde achar ideia de SaaS no vibe coding: um ranking de MRR
Em vez de inventar uma ideia do zero, Martin Blume abriu um diretório público de MRR, ordenou por receita e procurou ali uma ferramenta que ele já usava e conseguiria refazer.
Procurar ideia de SaaS costuma ser exercício de adivinhação: você tenta inventar alguma coisa e depois sai atrás de gente que pagaria por ela. Martin Blume fez o caminho contrário na primeira live do canal dele. Abriu um diretório público que lista empresas com o MRR de cada uma, mandou ordenar por receita e ficou olhando uma fila de negócios que já cobram de alguém, procurando lá dentro um que ele conseguisse refazer.
Ele não é desenvolvedor, e tinha 1 semana para bater o martelo na ideia. O que separa esse método de sonhar acordado em cima da receita dos outros é o filtro que ele aplica na lista, e é ele que dá para copiar.
Ordenar por receita antes de ter qualquer ideia
A primeira tentativa dele foi outra. Ele abriu um marketplace de compra e venda de negócios online atrás de uma listagem de produtos que já faturam, procurou, não achou o que queria e largou:
Deve ter uma lista, mas já achei muito difícil
Aí ele lembrou de um site que tinha visto dias antes, o Trust MRR, e trocou de aba:
Esse site aqui eu vi esses dias e é top demais, velho. Aqui vocês conseguem ver, ó, uma lista das empresas com o MRR deles
Ele explica a métrica na tela, "MRR quanto eles estão fazendo por mês", e clica em um dos produtos para ler o que aquela empresa vende. A ação que vale imitar vem logo depois, e é de um clique:
Eu quero que liste por MRR. Eu quero ver quem já fez mais revenue.
A lista reordenada vai de receitas pequenas a valores altos, e ele já começa a triar em voz alta, descartando o pé da tabela com um "essas rendas aqui estão meio pequeno". Ali o problema dele mudou de natureza. Em vez da tela em branco de quem precisa inventar um produto, ele tem uma escolha dentro de um conjunto pronto de negócios que já provaram receber dinheiro de alguém.
O filtro de quem faz vibe coding sem ser desenvolvedor
A lista sozinha entrega pouco. Ordenada por receita, ela empurra você para o topo, justamente onde estão os produtos grandes demais para copiar. O critério que corrige isso é o que Martin diz na sequência: Isso aparece também em vibe coding para validar saas por receita real. Isso aparece também em como validar ideia de plataforma no vibe coding. Isso aparece também em o que e mcp. Foi o mesmo caminho de vibe coding para o agente achar informacao duplicada nas telas. Isso aparece também em ideias de saas.
vou ver outras ferramentas que eu sei que não é muito difícil de fazer
São 2 condições empilhadas, e juntas elas derrubam a maior parte da lista. A primeira é que seja ferramenta que ele já usa. O exemplo que ele dá é a ferramenta de ditado por voz que estava aberta naquele exato momento, a que ele usava para falar com o assistente de código em vez de digitar prompt longo. Ele paga por ela todo mês e trabalha com ela, então conhece a dor de dentro e não precisa de pesquisa de mercado para saber por que alguém abriria a carteira.
A segunda é que a coisa pareça simples o bastante para ele reconstruir uma versão focada. Isso é um julgamento sobre o que ele consegue manter de pé, não sobre o tamanho do mercado. Um produto de nicho estreito com uma função só cabe em quem está começando, e um concorrente de plataforma grande não cabe.
Com as 2 condições no lugar, o ranking vira lista de candidatos em vez de vitrine de gente ganhando dinheiro, e a triagem passa a depender de coisas que ninguém responde no seu lugar. Para quem faz vibe coding sem base técnica, essa faixa do mercado é a mais generosa: você é construtor e usuário do mesmo produto, e percebe o que está faltando usando. Vale ver como isso aparece também em o que é front end e back end.
O que os números daquele diretório valem
São números publicados num diretório, e ninguém auditou nenhum deles. Tratar a receita declarada de uma empresa desconhecida como fato conferido é o jeito rápido de escolher a ideia errada com muita confiança.
Como ponto de partida para pesquisa, a lista serve bem, por um motivo que independe da precisão dos valores: ela mostra em que categorias existem produtos pequenos cobrando assinatura. Essa parte você verifica sozinho, abrindo a página de preços do produto, vendo se ele existe mesmo, procurando de quem ele cobra e por quanto. O número serve para ordenar a fila do que você vai investigar.
O que fazer com isso na sua próxima hora livre
Abra um diretório de receita recorrente, ordene pela coluna de receita e leia a lista inteira sem julgar nada. Depois escreva a lista das ferramentas pagas que você abre toda semana, aquelas cuja cobrança você reconhece na fatura do cartão. Cruze as duas listas e marque só o que passa nos 2 testes de Martin: dor que você sente na pele e produto que você olharia para reconstruir numa versão mais estreita, para um público que você conhece de perto.
A live dele acaba sem ideia escolhida, com o prazo ainda de pé e a lista aberta na tela. Dá para assistir à live e ver a lista ser reordenada na frente dele. Começar a busca por uma coluna de receita, e não por um brainstorm, é o que deixa a pesquisa de ideia ao alcance de quem chegou agora no vibe coding.