VIBE IN PUBLIC_

Como precificar pacote de serviços com vibe coding e vender em combo

Guilherme Saraiva abriu o padrão interno dele ao vivo: site a partir de R$ 1.500, carrossel de R$ 1.000, CRM de R$ 2.000, sempre mais manutenção e sempre vendido junto.

Decida o piso de cada coisa que você sabe construir antes de qualquer cliente perguntar o preço, e depois não mande orçamento de item avulso. O padrão de Guilherme Saraiva tem 3 pisos: site não sai por menos de R$ 1.500, gerador de carrossel não sai por menos de R$ 1.000, CRM não sai por menos de R$ 2.000, e cada um deles entra na proposta com a manutenção somada.

A pergunta caiu no chat enquanto ele mexia num RPG solo que classificou como projeto sensível, com muita chave de API exposta e pagamento no meio, ao contrário do que costuma pegar. Alguém quis saber se ele já tinha fechado projeto com dado sensível e como ele cobra. Ele respondeu a segunda parte primeiro:

E como eu precifico, mano, eu cobro alto e entrego bastante.

O padrão interno existe antes de o cliente perguntar o preço

Ele chega na conversa com os números já decididos:

eu precifico por um padrão aqui interno

Os valores saíram em seguida, um a um. "um site meu aqui não sai menos que 1500", disse ele. O gerador de carrossel também tem chão: "não é menos de R$ 1.000, mais a manutenção". No CRM ele começou a frase errada, pediu perdão no ar ("eu já tô derretidão, mano") e refez a lista inteira do jeito certo:

Não é menos de R$ 1500, não é menos de R$ 1.000 o um CRM, não é menos de 2000, tá ligado? Mais manutenção.

São pisos. R$ 1.500 é onde o site começa, e o número que vai para a proposta sobe conforme o projeto. Ter esse chão escrito antes muda o que acontece quando perguntam quanto custa, porque a resposta já existe e não depende da cara que a pessoa fez.

Quem constrói com vibe coding tem uma tentação a mais, que é descontar o preço na mesma proporção em que o tempo de produção caiu. É assim que o vibe coding funciona na prática. O piso é o que segura isso. O que está no contrato é um site no ar e um CRM recebendo lead, com alguém do outro lado quando quebrar, e nada disso ficou mais barato de manter.

Nada sai avulso: site mais CRM mais conteúdo, ou conteúdo mais Google Meu Negócio

Com os pisos definidos, vem a parte que ele chamou de segredo:

O segredo aqui, o meu segredo, né, que não é nenhum segredo, na verdade, é só vender tudo em combo

Os 2 combos que ele citou são site mais CRM mais criação de conteúdo, ou criação de conteúdo mais Google Meu Negócio. Ninguém compra "um site" dele.

O cliente que ia pechinchar o site sozinho passa a discutir um pacote inteiro, que ele não consegue comparar com o orçamento do concorrente porque o concorrente vendeu só a página. E a manutenção, que aparece grudada em cada item toda vez que ele fala de preço, continua entrando depois que a entrega acabou. Do outro lado do balcão vale a mesma disciplina de filtro: quem chega até você já sabendo o que quer discute escopo, não desconto, e é disso que trata gerar leads qualificados em vez de atender todo mundo que pediu orçamento.

Cobrar alto obriga a entregar bastante

O "entrego bastante" tem forma concreta. Ele contou a rotina de conteúdo de um cliente: domingo à tarde ele senta e produz a semana toda, segunda de manhã manda para todo mundo aprovar, e o que é aprovado entra sozinho na fila de publicação.

Ele montou esse sisteminha na mão. Cada cliente tem 3 pastas no Drive, uma para aprovação, uma de aprovados e uma de publicados. Ele criou um app de desenvolvedor na Meta, pediu acesso, e com o token um script na VPS dele fica lendo a pasta de aprovados. Os arquivos são numerados 01, 02, 03, e no horário combinado o script pega o de número mais baixo, publica e move para a pasta de publicados. O cliente opera em 2 pastas e não vê o resto.

Os R$ 1.000 do carrossel cobrem esse conteúdo subindo sozinho toda semana, sem o cliente lembrar da data. O trabalho também não termina na entrega: sobre o RPG cheio de chave de API exposta, ele disse que vai ter que revisar muito e estudar para caramba antes de entregar aquilo.

O que escrever antes do seu próximo orçamento de vibe coding

Abra um arquivo e escreva o piso de cada coisa que você sabe entregar com vibe coding hoje. Um número por linha, decidido frio, sem cliente do outro lado. Depois escreva os 2 pacotes que você vende e some a manutenção em cada um. Na próxima vez que perguntarem seu preço, você lê o arquivo em vez de improvisar, e o resto da conversa passa a ser sobre o que entra no combo.

Vale escrever também o que sustenta cada piso, do jeito que a fila de publicação sustenta o carrossel dele, porque é essa segunda coluna que você vai ter que defender. Quando você está decidindo qual IA vai executar cada tarefa, é tão importante quanto preço: o viés do orquestrador de IA trata exatamente como os pedidos de teste continuam pesando nas próximas decisões sem você pedir. Guilherme falou o preço dele no ar, com testemunha, o que deixa a conta disponível para qualquer um refazer e é o que as leis do movimento cobram de quem constrói em público. Dá para assistir à live e ouvir o trecho inteiro, com ele se atrapalhando nos próprios números no meio da frase e recomeçando a lista do zero.