VIBE IN PUBLIC_

Checklist de tarefa manual no vibe coding: agrupe as interrupções

Thiago mandou o agente parar de pedir permissão, terminar todas as ondas e documentar em ordem o que depende dele. O checklist é o mecanismo; o ganho é um dia sem interrupção.

Responder que sim para um agente leva poucos segundos. O caro é o caminho de volta: você estava dentro de outra coisa quando ele perguntou, e precisa reconstruir na cabeça por que aquela decisão existe antes de conseguir tomá-la. Quem toca um plano longo no vibe coding paga esse pedágio várias vezes por dia sem nunca somar a conta.

No fim de uma live, Thiago, que constrói a plataforma dele em público dentro do Overclock, inverteu o contrato com o agente que estava executando o plano. O trabalho estava dividido em ondas, que são lotes de tarefas, e o agente vinha parando a cada etapa para pedir autorização. Ele pediu o oposto: termine tudo e me entregue por escrito o que sobrou para as minhas mãos, em ordem.

O pedido que inverte o contrato

A instrução veio inteira:

Eh, eu quero que você não peça mais permissão nenhuma. Eu quero que você termine todas as ondas e só documente tudo que eu preciso fazer.

No lugar da pergunta ele encomenda um documento, com cada coisa que depende dele em ordem, do começo ao fim. O agente deixa de consultar e passa a anotar.

A justificativa veio junto, e ela é o argumento inteiro:

Não tem como você fazer todas as ondas e depois eu faço tudo que depende de mim sozinha, porque daí eu não preciso ficar parando. Eu pego e tiro um dia só para fazer o que precisa de mim.

E a condição de encerramento, a frase mais afiada da cena:

Só quero falar com você quando você terminar todo o código desse plano.

Uma interrupção custa mais do que os segundos que ela ocupa

A pergunta do agente nunca chega num vazio. Ela chega enquanto você está lendo, escrevendo ou decidindo outra coisa, e para responder com alguma qualidade você precisa lembrar por que aquela onda existe e o que já ficou combinado antes dela. Isso não estava na sua cabeça no segundo anterior à pergunta, estava no plano. Então você reabre o plano, remonta o contexto, responde, e volta pela metade para o que tinha largado.

Repita a cada etapa e a conta do dia deixa de ser o tempo das respostas. Passa a ser o tempo das respostas mais uma reconstrução de contexto por pergunta mais uma retomada por pergunta. As interrupções espalhadas ao longo do dia consomem mais do que o mesmo trabalho reunido num bloco, porque no bloco você paga a reconstrução uma vez só e depois fica dentro do assunto até acabar. O que ele está comprando ao mandar o agente seguir sozinho é a continuidade do próprio dia.

O que o checklist resolve na rotina de vibe coding

A lista em ordem faz uma segunda coisa, tão importante quanto o silêncio. Uma pendência que aparece no meio de uma onda e outra que aparece no meio de uma onda seguinte são duas interrupções separadas, cada uma com seu custo de entrada. As mesmas duas pendências escritas em sequência numa lista que te espera viram uma tarefa só, que você senta e executa lendo de cima para baixo.

Depois eu paro e faço a minha parte de todas as ondas num dia só.

Por isso o pedido é por passo a passo em ordem, e não por um relatório do que aconteceu: relatório você lê e depois ainda precisa decidir o que fazer com ele, enquanto uma fila já vem decidida. O checklist é só o mecanismo, e o que ele entrega de verdade é um dia sem ser interrompido.

Esse checklist é primo do roteiro que o agente escreve para religar o ambiente, com uma diferença: lá o assunto é voltar ao ambiente amanhã, aqui é o trabalho que sobrou para as mãos do humano. Isso aparece também em manual de procedimentos.

A régua: o que custa revisão e o que não volta

Mandar um agente parar de pedir permissão não é conselho universal para quem faz vibe coding, e isso precisa estar escrito com todas as letras. Funciona no caso dele por duas razões bem específicas.

A primeira é que o trabalho está delimitado por um plano escrito em ondas. O agente não está inventando escopo, está descendo uma lista que já foi discutida antes de a execução começar, e ele já sabia o limite do que podia fazer sozinho antes de Thiago tirar a permissão.

A segunda é que mudança de código é reversível. Dá para ler o que foi alterado e dá para desfazer. O pior caso de uma decisão tomada sem consultar é trabalho de revisão, que custa caro em atenção e mesmo assim é recuperável. Isso aparece também em vibe coding para testar como usuario comum sem ser admin.

A mesma instrução vira perigo quando o agente pode fazer coisa irreversível: apagar dado, gastar dinheiro, mandar mensagem para cliente, publicar. Nesses casos a permissão deixa de ser atrito e passa a ser a única trava entre uma decisão automática e um estrago que ninguém desfaz. A mensagem enviada já foi lida do outro lado e a cobrança já apareceu na fatura de alguém, e não existe revisão de código que traga qualquer uma das duas de volta.

A régua é essa: tire a permissão de onde o erro custa uma revisão, mantenha onde o erro custa uma coisa que não volta. Isso raramente é uma chave geral de liberdade total, é uma linha desenhada por tipo de ação, e desenhá-la leva menos tempo do que um único dia de perguntas.

Duas pilhas de perguntas antes do próximo plano

Antes de mandar o agente começar, separe as perguntas que ele vai querer fazer. As que só custam revisão, ele decide sozinho. As que mexem em dado, dinheiro, cliente ou publicação, ele continua perguntando. E no lugar das perguntas da primeira pilha, peça a lista do que vai sobrar para você, em ordem de execução, para o trabalho manual virar um bloco em vez de paradas soltas espalhadas pelo dia.

A live não mostra esse plano chegando ao fim. A sessão foi interrompida de outro jeito antes disso, o que é assunto para outro dia. O que fica de pé é o formato do pedido, e dá para assistir à cena inteira na live: depois de um dia inteiro sendo consultado, ele para de responder e começa a encomendar a resposta.